24 de jun. de 2010

Lúcifer

- "Pai! Pai!! Pai!!!", gritou o anjo Lúcifer aos céus. Como sempre, não houve resposta. Ele voava desesperado entre as belas nuvens recém formadas, vindas lá de baixo. Procurava seu Pai entre as nuvens e nunca o encontrava. O anjo Gabriel apareceu voando a sua frente, brincando com pássaros.
- Gabriel! Gabriel!
Gabriel, com seus cabelos longos e louros voltou a cabeça a Lúcifer e sorriu ao ver seu irmão por ali.
- Lúcifer! Que fazes por aqui, irmão?
- Procuro o Pai, Gabriel.
- Ora Lúcifer, você sabe que é impossível encontrá-Lo assim... Ele que vêm a você, não se lembra?
- Sim, sim, mas estou desesperado, irmão, sinto uma angústia em meu peito que não a entendo.
- Angústia? O que é isso?
- É algo horrível, irmão. Te consome por dentro. Corrói o teu coração como fogo quente a brasa. E não é a primeira vez que sinto isso e quero entender o porque disso! Por que sou o único dos filhos que sente esse tormento??
- Acalme-se Lúcifer, você é o mais velho. Deve vir com a idade, não?
- Não Gabriel. No fundo sempre a senti, mas agora está insuportável.
- Realmente não faço idéia do que dizes.
- Quero saber. Quero encontrar nosso Pai.
Os dois irmãos se calaram, observando os pássaros brincarem entre si. Lúcifer perguntou a Gabriel:
- Voce já viu o Pai?
- Já O vi, sim, Lúcifer.
- Quando???
- Em sonhos...
Lúcifer se pôs a pensar no porque que nunca tinha visto seu próprio Pai. Olhou para baixo e viu uma gama incrível de cores. Calmante e excitante ao mesmo tempo...
- Gabriel... Você nunca pensou em como deve ser lá embaixo?
- Não, Lúcifer, porque é impossível. É como um leão querer voar.
- Eu penso bastante...
- Pois bem, não pense muito, Lúcifer... Os irmãos estão se reunindo no Gatyanaya. Você vem?
- Não.
Gabriel saiu voando dali junto com os pássaros em direção ao Sol. Lúcifer, confuso, voou um pouco mais até o Sol se pôr. Reinou a escuridão. Por um instante pensou no porquê que as estrelas ainda não haviam aparecido... Ignorou. Se voltou para dentro, para sua angústia. Sentia que ia explodir. Fechou os olhos em busca de algo, com muita força segurou todo o ar que podia, mordeu os dentes para logo relaxar e exalar todo o ar em uma explosão de alívio. Abriu os olhos e foi quando, olhando para baixo, avistou um ponto amarelo brilhando, lindo e hipnotizante. Chamava-o para si. Parecia uma estrela, porém desconhecida. De alguma maneira essa visão tinha relação com sua angústia. Ele sentia isso. Seu coração ansiava por essa imagem. Seus olhos brilharam mais forte do que nunca e com grande força voou em direção ao ponto cintilante. Rompendo todo o ar e vento que lhe impedia de chegar ao chão, o anjo fechou os olhos e com toda sua força e velocidade se chocou contra uma parede marrom que nada tinha de igual ao ponto brilhante que tanto queria alcançar...

Era a primeira vez que um anjo pisava em terra. Como um recém-nascido que caminha pela primeira vez, levantou-se e sorriu de alegria. Sentia uma felicidade enorme. Absorto, olhou em volta e avistou algo parecido a uma nuvem, só que era de palha. Tinha um buraco no meio, convidando a escuridão, e uma fumaça negra saindo de cima em direção a sua casa, os céus. O anjo aproximou-se e via que algo brilhava lá dentro... Sua angústia havia se transformado e dado lugar a grande excitação e curiosidade. Entrou ali, nessa pequena toca e avistou um pequeno fogo queimando no chão, e ao lado, um ser parecido com ele mesmo, só que sem asas. Os dois olhavam profundamente nos olhos um do outro. Lúcifer, extasiado, perguntou:
- Pai?

2 comentários:

  1. :]
    gostei por instigar minha imaginacao bastante.
    n1.

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  2. Esse texto é incrível. O fim é um arraso, não consegui levantar até agora aqui. É sutil sem ser muito enigmático, e leve, muito leve. Os diálogos, as atitudes... O relacionamento entre os irmãos, e a angústia romântica. É bom entender os anjos como figuras infantis, a pureza fica óbvia, é lindo.

    Lindo, texto incrível, Negón!

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